FECUNDAÇÃO ARTIFICIAL

Pecuarista aposta na IATF para aumentar produtividade e melhorar a genética do rebanho

Para Adelaide Britto, a tecnologia já se tornou indispensável para quem busca eficiência na produção de carne bovina

Pecuarista aposta na IATF para aumentar produtividade e melhorar a genética do rebanho

A inseminação artificial em tempo fixo (IATF) vem ampliando espaço na pecuária brasileira como ferramenta para elevar produtividade, melhorar a genética do rebanho e aumentar a rentabilidade das fazendas. Para a pecuarista Adelaide Britto, a tecnologia já se tornou indispensável para quem busca eficiência na produção de carne bovina.

Adelaide afirmou que adotou a IATF desde o início da operação da fazenda, no Maranhão, substituindo completamente a monta natural.

“Quando adquirimos a propriedade, queríamos uma empresa, com visão de rentabilidade. E, na reprodução, o que existe de mais rentável hoje é a IATF”, disse.

Segundo ela, a principal mudança foi a organização do calendário reprodutivo do rebanho. A propriedade trabalha atualmente com estação de monta de 96 dias e já alcança índices de 52% de prenhez em um único dia de inseminação.

Tecnologia aumenta previsibilidade e melhora genética

A pecuarista destacou que a ressincronização precoce das matrizes ajuda a elevar a taxa final de prenhez para mais de 80% ao fim da estação reprodutiva.

Além disso, a utilização da IATF permite maior padronização do rebanho e previsibilidade na produção, fatores considerados estratégicos para a gestão da fazenda e para a comercialização dos animais.

“A gente sabe o peso que vai ter para vender nossos animais padronizados. Quem compra também consegue ter previsibilidade”, explicou.

Outro ponto destacado por Adelaide foi o avanço genético proporcionado pela técnica. Segundo ela, os touros utilizados em centrais de inseminação possuem avaliações genéticas superiores às encontradas normalmente em sistemas de monta natural.

“A genética é outra, a padronização é outra. Mesmo com o mesmo manejo nutricional e sanitário, o desempenho do animal é totalmente diferente”, afirmou.

Maranhão ainda utiliza pouco a tecnologia

Apesar do crescimento da IATF no Brasil, Adelaide avalia que ainda há amplo espaço para expansão da técnica, especialmente no Maranhão.

Segundo dados citados pela pecuarista, o estado possui rebanho de mais de 10 milhões de cabeças, mas apenas cerca de 16% utilizam a inseminação artificial em tempo fixo.

Para ela, ainda existe uma percepção equivocada de que a tecnologia é cara ou exige estruturas complexas.

“Eu não enxergo a IATF como uma tecnologia cara. É um investimento que tem retorno garantido”, afirmou.

De acordo com Adelaide, o custo médio por inseminação gira em torno de R$ 75, valor que, segundo ela, se torna mais vantajoso quando comparado ao investimento necessário para manutenção de touros de alta genética em sistemas de monta natural.

Mulheres ganham espaço na pecuária

Durante a entrevista, Adelaide também destacou o avanço da participação feminina na pecuária e na gestão das propriedades rurais.

Para ela, a combinação entre diferentes visões dentro da fazenda contribui para acelerar a adoção de novas tecnologias e melhorar os resultados no campo.

“Quando você junta o olhar do homem com o olhar da mulher, há muito a ganhar”, afirmou.

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