
O bem-estar animal deixou de ser uma pauta subjetiva na pecuária e passou a ocupar posição estratégica na produção moderna, afirmou a pecuarista Carmen Perez em entrevista para A Protagonista.
Segundo ela, a adoção de protocolos técnicos de manejo impacta diretamente indicadores produtivos, como ganho de peso, redução de mortalidade, qualidade de carcaça e eficiência econômica das fazendas.
“O bem-estar animal hoje é critério técnico e econômico. Não é mais opcional”, disse.
Carmen implementa práticas estruturadas de bem-estar desde 2007. De acordo com a pecuarista, os resultados foram mensuráveis.
Entre os indicadores citados, a taxa de perda pré-parto caiu de 9,7% para 4%. Já a mortalidade do rebanho, que era de 14%, recuou para cerca de 1,6% na safra mais recente.
Segundo ela, a mudança não envolveu soluções tecnológicas isoladas, mas transformação na gestão e na mentalidade da equipe.
“O maior investimento foi em pessoas e treinamento. Se a gente para de treinar, a equipe retrocede”, disse.
A pecuarista destacou a importância da adoção de procedimentos operacionais padrão (POPs) e de metas atreladas a bonificações para envolver toda a equipe no processo.
Mercado internacional e pressão do consumidor
O tema ganhou ainda mais relevância diante da expansão das exportações brasileiras de carne. Em 2024, o país registrou recorde histórico nas vendas externas do setor, superando US$ 26 bilhões. Até setembro de 2025, as exportações já somavam US$ 22,5 bilhões.
Para Carmen, mercados internacionais valorizam rastreabilidade, sustentabilidade e práticas alinhadas ao bem-estar animal.
“O consumidor final é quem pressiona a produção. Ele quer saber como aquela carne foi produzida”, afirmou.
Ela citou como exemplo o mercado de ovos livres de gaiola, cuja demanda cresceu nos últimos anos impulsionada por exigências do varejo e do consumidor.
Para Carmen, o bem-estar animal é um elemento central da sustentabilidade, pois envolve aspectos ambientais, sociais e econômicos da produção.
“Não dá para pensar em pecuária moderna sem integrar bem-estar e sustentabilidade”, afirmou.
Veja abaixo a entrevista na íntegra: