
A inseminação artificial em tempo fixo (IATF) vem ampliando espaço na pecuária brasileira e já responde por 91,8% das inseminações realizadas no país. A avaliação é da médica veterinária Bruna Catussi, mestre e doutora em reprodução animal.
Segundo ela, a tecnologia se tornou uma das principais ferramentas para aumentar a eficiência reprodutiva e produtiva dentro das fazendas.
“A IATF permite inseminar um grande número de fêmeas em um momento pré-determinado, sem a necessidade da observação de cio. Isso organiza a estação de monta, concentra os partos, padroniza os lotes e aumenta a eficiência reprodutiva e produtiva do rebanho”, explicou.
Dados do Departamento de Reprodução Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP (FMVZ-USP) mostram que mais de 23 milhões de protocolos de IATF foram comercializados em 2024 no Brasil.
A expectativa para 2025 é de crescimento de cerca de 6%, indicando avanço contínuo da adoção da tecnologia nas propriedades rurais.
Tecnologia reduz intervalo entre inseminações
De acordo com Bruna Catussi, a IATF continua evoluindo com novas técnicas aplicadas dentro das fazendas. Entre elas, a ressincronização super precoce, que permite reinseminar as fêmeas a cada 21 dias, reduzindo o intervalo entre serviços e aumentando a taxa de prenhez acumulada durante a estação de monta.
A especialista também destacou o avanço dos protocolos hormonais ajustados conforme categoria e raça dos animais, além do uso de sêmen sexado e da aplicação da técnica em novilhas super precoces.
“Hoje temos protocolos altamente ajustados e o uso estratégico de tecnologias que direcionam a produção conforme o objetivo do sistema”, afirmou.
Mulheres ganham espaço na reprodução animal
Bruna Catussi também ressaltou o crescimento da participação feminina na reprodução animal e nos manejos reprodutivos dentro das propriedades.
Segundo ela, médicas veterinárias, zootecnistas e técnicas de campo vêm assumindo funções de liderança, coordenando equipes e participando diretamente das decisões estratégicas nas fazendas.
“A IATF conecta ciência, gestão e resultado econômico. E cada vez mais as mulheres são protagonistas, conectando conhecimento técnico e produtividade dentro da pecuária brasileira”, destacou.
Durante o programa, o debate também abordou a importância da diversidade de visões dentro da gestão das propriedades rurais. A pecuarista Adelaide Britto afirmou acreditar na complementaridade entre homens e mulheres na tomada de decisões.
“Quando você junta o olhar do homem com o olhar da mulher, há muito a ganhar”, comentou.
Já um dos participantes do programa afirmou considerar a IATF essencial para propriedades que buscam maior rentabilidade.
“Com a tecnologia disponível hoje, a monta natural, no meu ponto de vista, não é a melhor opção para quem busca resultado econômico”, afirmou.