
O ano de 2026 promete trazer novos desafios e transformações para o agronegócio brasileiro, e as mulheres devem ocupar um papel cada vez mais estratégico nesse cenário. Mais do que preparo técnico, a construção de uma liderança sólida no campo passa por autoconhecimento, equilíbrio emocional e desenvolvimento de competências comportamentais.
A avaliação é da psicóloga e especialista em neurociência aplicada ao comportamento, Andrea Oliveira. Com 15 anos de atuação como líder de recursos humanos em uma multinacional japonesa do agro, Andreia destaca que a psicologia e a neurociência são ferramentas fundamentais para fortalecer o protagonismo feminino em um ambiente competitivo e desafiador como o agronegócio.
“Quanto mais a mulher se conhece, mais entende seus limites, suas vulnerabilidades e suas forças. O autoconhecimento transforma a vulnerabilidade em potência”, afirma.
Raízes no interior e atuação no agro
Natural de Ibitinga, no interior de São Paulo, Andrea Oliveira carrega uma trajetória marcada pela conexão com as pessoas e com a terra. Psicóloga formada pela Unesp de Bauru, com MBA em Recursos Humanos e especialização em neurociência aplicada ao comportamento, ela atua hoje ajudando profissionais do agro a desenvolverem consciência, coragem e protagonismo.
Neta de boia-fria, Andreia ressalta que sua atuação é também uma forma de devolver ao setor tudo o que aprendeu ao longo da carreira. “É sobre assumir a própria história e sustentar as escolhas que fazemos”, resume.
Liderança vai além do cargo
Segundo a especialista, liderança não está ligada a um cargo formal, mas à postura. “Liderar é mobilizar pessoas. É ouvir, acolher, abrir espaço e sustentar decisões. Quando o líder se coloca como parceiro do time, o engajamento acontece de forma natural”, explica.
Ela destaca que o modelo tradicional de comando e controle vem sendo substituído por uma liderança mais humanizada, baseada em relações genuínas e no desenvolvimento das chamadas soft skills, competências comportamentais essenciais no contexto atual.
Autocobrança, comparação e saúde mental
Andreia chama atenção para um dos principais desafios enfrentados pelas mulheres no agro: a autocobrança excessiva. Em ambientes altamente competitivos, a comparação constante pode afetar diretamente a autoestima e a saúde mental.
“A comparação corrói a autoestima. Quando buscamos a perfeição, nos frustramos, porque o ser humano é, por natureza, vulnerável. O caminho é se permitir ser humana”, reforça.
Para ela, o autoconhecimento funciona como um escudo contra a pressão externa, ajudando a mulher a lidar melhor com as exigências do mercado, que é influenciado por fatores como clima, preços, custos de produção e volatilidade econômica.
Rede de apoio fortalece protagonismo feminino
Outro ponto central abordado na entrevista é a importância das redes de apoio. De acordo com a psicóloga, conexões autênticas e vínculos de qualidade são essenciais para a segurança emocional e o bem-estar.
“A neurociência mostra que relações de apoio impactam diretamente a saúde emocional, social e até a longevidade”, afirma, citando estudos que associam relações sólidas a maior qualidade de vida.
Eventos como congressos e encontros de mulheres do agro têm contribuído para fortalecer essa troca de experiências, criando ambientes de cooperação e sororidade. “Não se trata de quantidade de contatos, mas da qualidade das relações”, ressalta.
Legado para as próximas gerações
Para Andrea Oliveira, o avanço das mulheres no agro vai além das conquistas individuais. “O que estamos fazendo hoje é deixar legado. Ocupar espaços agora cria representatividade para as próximas gerações”, afirma.
Ela acredita que, apesar de ainda existir um caminho a percorrer, especialmente quando se fala em sororidade, o movimento feminino no agro é irreversível. “Estamos no caminho certo. Cada mulher que se fortalece ajuda a abrir espaço para muitas outras”, afirma.