
A presença feminina na gestão das propriedades rurais e no cooperativismo tem ganhado cada vez mais espaço no agronegócio brasileiro. Esse foi o destaque da entrevista da coordenadora do Comitê de Mulheres do Sistema OCB, Leandra Migli Oranza, concedida ao videocast A Protagonista.
Criada no meio rural, Leandra afirmou que sua trajetória no agro começou ainda na infância, trabalhando na propriedade da família. Com o passar dos anos, acompanhou a evolução tecnológica do setor e passou a atuar diretamente na gestão da fazenda ao lado do marido. Segundo ela, o reconhecimento da mulher como líder e gestora é um processo construído ao longo do tempo.
“Não foi desde o início. A liderança e a gestão vão sendo construídas no dia a dia, entendendo os desafios do agro, principalmente da porteira para fora, na parte financeira e administrativa”, explicou.
Leandra destacou que, quando assumiu a gestão da propriedade, houve um avanço significativo no negócio. Enquanto o marido passou a se dedicar mais às lavouras, ela ficou responsável pela administração, o que trouxe mais organização e eficiência. Para a coordenadora, a visão ampliada das mulheres contribui diretamente para uma gestão mais qualificada.
“A mulher expande horizontes. Ela olha para sucessão familiar, gestão de pessoas, sustentabilidade, área social e até para exportação. Isso fortalece a propriedade”, afirmou.
Atuação no cooperativismo e fortalecimento das mulheres
À frente do Comitê de Mulheres do Sistema OCB, Leandra contou que o convite para integrar o grupo nacional foi resultado de uma longa trajetória no cooperativismo. Desde 2012, ela participa de ações voltadas ao desenvolvimento feminino dentro da Cooperativa Camis, em Mariópolis, no Paraná, com foco em liderança, protagonismo e propósito.
“Nada chega por acaso. Esse convite veio porque eu estava preparada. As cooperativas estão cada vez mais olhando para as mulheres e investindo na formação delas”, ressaltou.
Segundo a coordenadora, o cooperativismo entende que a mulher é parte central da família cooperativista e, por isso, tem ampliado o suporte por meio de capacitações e cursos gratuitos. Um dos destaques é a plataforma CapacitaCoop, que oferece desde cursos de curta duração até graduações, acessíveis a mulheres de todo o país.
“O cooperativismo precisa da força feminina. A capacitação é uma ferramenta para que as mulheres se sintam pertencentes e preparadas para ocupar espaços”, afirmou.
Pertencimento como pilar do protagonismo
Para Leandra, mais do que a profissionalização, o sentimento de pertencimento é essencial para que a mulher avance no agro e no cooperativismo. “Quando a mulher entende que pertence a esse setor, ela descobre que pode ir muito além do que imagina”, destacou.
Ela também ressaltou a importância do autoconhecimento e da inteligência emocional, aliados à formação técnica, como base para ocupar cargos de liderança, seja na propriedade rural ou em conselhos administrativos e fiscais das cooperativas.
Ao final da entrevista, deixou uma mensagem para mulheres que estão dando os primeiros passos no agro: “Não desistam dos seus sonhos. Por mais desafiadores que sejam, sempre chegamos onde queremos estar, basta acreditar e seguir”.