PARCERIA NOS NEGÓCIOS

Produtora de café compartilha com o marido a gestão de fazenda batizada em homenagem às filhas

Paula Curiacos comanda ao lado do parceiro a Fazenda Três Meninas, referência em agricultura regenerativa

Produtora de café compartilha com o marido a gestão de fazenda batizada em homenagem às filhas

O videocast A Protagonista conversou com Paula Curiacos, gestora da Fazenda Três Meninas, propriedade cafeeira reconhecida no Prêmio Planeta Campo 2023. A produtora destacou a construção de uma gestão baseada em equidade de gênero, sustentabilidade e visão de longo prazo.

Com uma carreira consolidada em cargos de alta gestão, Paula conta que sua entrada direta no campo ocorreu quando ela e o marido, Marcelo, decidiram investir na propriedade rural. Desde o início, a Fazenda Três Meninas nasceu com uma gestão compartilhada, na qual as decisões estratégicas são tomadas em conjunto.

Enquanto Marcelo atua mais diretamente na parte agronômica, Paula acompanha métricas de desempenho, resultados econômicos, área comercial e parcerias externas. “A fazenda já começou com essa equidade de gênero de forma muito natural”, afirmou.

Sucessão feminina e legado no campo

O nome da fazenda é uma homenagem às três filhas do casal e simboliza um projeto que tem tudo para resultar em uma sucessão familiar feminina. Segundo Paula, não há imposição para que as filhas sigam no agro, mas o desejo é que, se assumirem o negócio, tragam sua própria identidade à gestão.

“O mais importante é o legado. Onde quer que elas estejam, que possam fazer a diferença e contribuir para a prosperidade do entorno”, destacou.

Agricultura regenerativa

Outro pilar da gestão da Fazenda Três Meninas é a agricultura regenerativa, adotada desde o início das atividades. Paula explicou que o maior desafio foi a falta inicial de informações técnicas, o que exigiu investimentos em tempo e recursos.

“Tudo o que fizemos foi baseado em ciência. Hoje temos estratégias mais bem definidas, mas ainda convivemos com mais perguntas do que respostas, algo comum em períodos de transição”, afirmou.

Para ela, sustentabilidade real acontece quando há interseção entre resultados financeiros, benefícios ambientais e impacto social.

Cooperativismo e protagonismo feminino

Produtora de café, Paula destacou que o setor tem se mostrado um espaço crescente para a liderança feminina, especialmente nas áreas de sustentabilidade e qualidade.

“O mercado está mais exigente. A sustentabilidade ainda não tem um lugar plenamente ocupado, e esse é um espaço que a mulher pode ocupar sem competir, mas colaborando”, disse.

Ela também ressaltou o papel estratégico do cooperativismo, sobretudo para pequenos e médios produtores. “Os grandes expoentes do agro no mundo têm cooperativismo forte. A cooperativa hoje entrega um ciclo completo ao produtor, da armazenagem à comercialização”, avaliou.