
Bem-estar animal, pecuária tropical e tecnologias de ponta estão no centro das pesquisas desenvolvidas pelo Instituto de Zootecnia, em São José do Rio Preto (SP). No Mulheres que Conectam, a pesquisadora Renata Branco explica como ciência, inovação e sustentabilidade caminham juntas para tornar a produção pecuária mais eficiente.
Renata atua na unidade do instituto que abriga o RumenLab, um centro dedicado à pesquisa em pecuária sustentável.
“Estamos aqui na unidade de São José do Rio Preto, que é a casa do RumenLab. Este é um centro de pesquisa voltado à pecuária sustentável e trabalha com diferentes linhas de investigação”, explica.
Entre os principais focos das pesquisas estão o metabolismo ruminal, a melhoria da eficiência alimentar dos animais e a redução das emissões de metano, um dos principais desafios ambientais associados à produção pecuária.
Bem-estar animal como parte da pesquisa
Na unidade, o bem-estar animal não é tratado como um elemento secundário. Pelo contrário, ele faz parte da base científica das pesquisas realizadas.
Os pesquisadores analisam diferentes aspectos do comportamento dos animais para entender como o manejo e a alimentação podem influenciar na produtividade.
“Aliamos o bem-estar animal às pesquisas, avaliando comportamento ingestivo, consumo de água e comportamento de pastejo”, explica Renata.
Segundo ela, manter os animais em condições adequadas contribui para otimizar a produção e melhorar os resultados dentro do sistema pecuário.
Esse cuidado também levou a unidade a iniciar um processo de certificação internacional.
A estrutura passa por uma auditoria independente da Fairfood, que busca garantir que todas as pesquisas conduzidas com animais respeitem normas rigorosas de bem-estar.
Tecnologia para entender o funcionamento do rúmen
Grande parte das pesquisas começa dentro do laboratório, antes mesmo de qualquer teste com os animais. No RumenLab, os cientistas analisam diferentes dietas e aditivos alimentares para avaliar como esses elementos influenciam o processo de fermentação no rúmen.
“O laboratório é o nosso espaço de fermentação ruminal. Tudo o que vamos avaliar de novas dietas ou aditivos começa primeiro ali”, explica a pesquisadora.
Esse processo permite testar diferentes alternativas de alimentação com segurança e precisão científica.
As “vacas de vidro” da pesquisa
Um dos equipamentos utilizados na unidade é um sistema conhecido como Dual Flow, considerado único em uso no Brasil.
O equipamento simula, em laboratório, o funcionamento do rúmen dos bovinos. Por isso, os pesquisadores costumam se referir a ele de forma simbólica como as “vacas de vidro”.
“Tudo o que acontece nesse sistema reproduz o que ocorre dentro do rúmen do animal”, afirma Renata.
Essa tecnologia permite que os pesquisadores façam uma triagem inicial das dietas e aditivos antes de aplicá-los nos animais.
Dessa forma, é possível identificar possíveis impactos nutricionais ou metabólicos com antecedência, garantindo mais segurança para os experimentos.
“Antes de oferecer qualquer alimento ou aditivo aos animais, fazemos uma avaliação no laboratório. Isso garante que não estamos colocando algo que possa prejudicá-los”, explica.
Ciência para uma pecuária mais sustentável
Ao integrar bem-estar animal, tecnologia e estudos sobre metabolismo ruminal, as pesquisas conduzidas no Instituto de Zootecnia buscam contribuir para uma pecuária mais sustentável.
A combinação entre ciência e inovação permite avançar na eficiência produtiva, reduzir impactos ambientais e fortalecer sistemas de produção adaptados à realidade da pecuária tropical.