
Empreender no agronegócio muitas vezes significa enfrentar insegurança, desafios e a necessidade de provar todos os dias a própria capacidade. No Vozes do Campo, histórias de mulheres mostram como coragem e persistência têm impulsionado iniciativas inovadoras no setor.
Entre esses exemplos está a produtora Mirela Ohpis, que atua na produção de batata-semente por meio de mini tubérculos, tecnologia utilizada para garantir maior qualidade genética e sanitária às lavouras. O cultivo é realizado em ambiente protegido, dentro de estufas, onde o controle das condições de produção permite maior segurança na obtenção das sementes.
Segundo Mirela, muitas pessoas ainda desconhecem como funciona a produção de sementes de batata no Brasil. Ela explica que o processo exige atenção a diversos detalhes e um alto nível de controle para garantir a qualidade do material utilizado nas lavouras.
A empreendedora conta que decidiu entrar nesse segmento após atuar na produção de batata para consumo. A necessidade de sementes de maior qualidade foi o que a levou a investir na produção de mini tubérculos em ambiente protegido.
“É um processo complexo e cheio de detalhes. Mas é muito gratificante saber que estamos levando qualidade para o campo e ajudando o produtor a aumentar a produtividade”, afirma.
Hoje, a produção de mini tubérculos ainda é limitada no país. Segundo Mirela, apenas três empresas possuem registro e autorização para atuar nesse segmento, com cadastro no Registro Nacional de Sementes e Mudas (RenaseM), do Ministério da Agricultura.
A produtora também destaca que empreender no Brasil exige resiliência, principalmente para mulheres que atuam em áreas tradicionalmente dominadas por homens.
“Empreender nunca foi fácil. A gente enfrenta muitos desafios e precisa aprender a superá-los todos os dias”, afirma.
Negócios nas redes sociais
Outra história é a da engenheira agrônoma Nicole Gonçalves, que decidiu compartilhar conhecimento sobre cafeicultura nas redes sociais.
Moradora de Coromandel (MG), Nicole iniciou o projeto de produção de conteúdo sem grande estrutura ou investimentos. Segundo ela, o trabalho começou apenas com um celular, um perfil nas redes sociais e a vontade de construir algo relevante para o setor.
A profissional relata que, no início, enfrentou dúvidas e receio de não ser levada a sério. Mesmo assim, decidiu continuar produzindo conteúdo e compartilhando conhecimento.
“Empreender foi muito mais um processo interno do que externo. Foi continuar postando mesmo com poucas visualizações e seguir estudando mesmo sem reconhecimento”, conta.
Para Nicole, a constância e a dedicação foram fundamentais para continuar avançando no projeto. Ela destaca que o processo de crescimento ainda está em andamento, mas que o caminho percorrido já trouxe mudanças importantes.
“A coragem não é a ausência do medo, mas a capacidade de seguir em frente mesmo com ele”, afirma.