CAPACITAÇÃO

Quando o talento vira renda: mulheres do campo transformam o artesanato em oportunidade

Juliana Farah explica como as Semeadoras do Agro incentivam o empreendedorismo feminino no campo

Quando o talento vira renda: mulheres do campo transformam o artesanato em oportunidade

O artesanato tem se consolidado como uma importante porta de entrada para a autonomia financeira de mulheres no campo. Mais do que uma atividade complementar, o trabalho manual vem ganhando espaço como negócio estruturado, capaz de gerar renda, fortalecer a autoestima e transformar realidades.

É o que mostra o trabalho das Semeadoras do Agro, movimento que atua diretamente no incentivo ao empreendedorismo feminino por meio de capacitações, encontros e troca de experiências.

Juliana Farah, presidente das Semeadoras do Agro, destacou que o objetivo é ajudar mulheres a enxergarem valor no que produzem e a transformarem habilidades em oportunidades de negócio.

Segundo Farah, muitas mulheres chegam aos cursos sem acreditar no próprio potencial. Em diversos casos, o artesanato começa como um hobby, mas, com orientação, passa a ser visto como uma fonte real de renda.

“O artesanato é um dom manual muito nobre. Mas ainda falta valorização. Nosso trabalho é justamente ajudar essas mulheres a aprimorar esse talento e transformar isso em algo maior”, afirma.

Além da produção, as capacitações também abordam pontos essenciais para o empreendedorismo, como precificação, divulgação e estratégias de venda.

A mudança de mentalidade é um dos principais resultados. Mulheres que antes estavam desmotivadas passam a enxergar novas possibilidades e começam a empreender.

Histórias que mostram o potencial

De acordo com a presidente das Semeadoras, não faltam exemplos de transformação. Muitas participantes chegam aos cursos sem perspectiva e, ao longo do processo, descobrem habilidades e oportunidades que não imaginavam.

A partir disso, começam a produzir, divulgar e vender suas peças — muitas vezes com apoio dos sindicatos rurais, que funcionam como porta de entrada para os cursos.

“Não existe tempo certo para recomeçar. Quem define isso é a própria pessoa. E quando ela percebe que pode, tudo muda”, destaca Juliana.

Valorização ainda é desafio

Apesar do avanço, a valorização do artesanato ainda é um desafio. Muitas mulheres não reconhecem o valor do próprio trabalho, o que impacta diretamente na forma como produzem e comercializam.

Juliana cita como exemplo produtos simples, como panos de prato artesanais, que têm demanda, mas ainda são pouco divulgados.

“Às vezes a pessoa acha que é algo simples demais, mas existe mercado. O problema é que muitas não valorizam o que fazem e deixam de mostrar esse trabalho”, explica.

Participação feminina cresce no campo

O movimento também reflete uma mudança maior no campo. Dados do Senar mostram que, em 2025, pela primeira vez, a participação feminina nos cursos superou a masculina, chegando a 53%.

O número indica que mais mulheres estão buscando qualificação e se inserindo no ambiente produtivo rural.

Mesmo com avanços, Juliana aponta que o maior desafio ainda é interno: a falta de confiança.

“Muitas vezes, o maior obstáculo é a mulher não acreditar nela mesma. Todos os dias é preciso criar coragem para seguir em frente”, afirma.

Ela também cita fatores como a desigualdade de gênero e a violência como barreiras que ainda precisam ser enfrentadas.