PROFISSIONALIZAÇÃO

Artesanato ganha força no campo e se consolida como fonte de renda para mulheres

Segundo a gestora de artesanato do Senar-SP, Isabela Pennella, a profissionalização tem sido decisiva para transformar uma habilidade em negócio

Artesanato ganha força no campo e se consolida como fonte de renda para mulheres

Presente em 78,6% dos municípios brasileiros, o artesanato se consolida como uma atividade relevante para a geração de renda e valorização cultural, segundo dados do IBGE. No país, o setor movimenta cerca de R$ 50 bilhões por ano e envolve aproximadamente 8,5 milhões de profissionais.

De acordo com a gestora de artesanato do Senar-SP, Isabela Pennella, a profissionalização tem sido decisiva para transformar uma habilidade em negócio. “Muitas mulheres deixam de ver o artesanato como complemento e passam a enxergar como principal fonte de renda, com mais autonomia e acesso a políticas públicas”, afirma.

Um dos principais instrumentos nesse processo é a carteira de artesão, emitida pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico dentro do programa Artesão Empreendedor. O documento garante reconhecimento profissional e abre portas para participação em feiras, acesso a crédito e novas capacitações.

Nos últimos meses, cerca de 400 carteiras foram entregues no interior de São Paulo por meio de parceria entre o Senar-SP e o governo estadual. A iniciativa busca ampliar a formalização e fortalecer o setor.

Além da certificação, o Senar atua na capacitação técnica e na gestão dos negócios. Os cursos abordam desde técnicas artesanais até temas como precificação, comercialização e vendas online. A entrada nos programas ocorre por meio dos sindicatos rurais, que organizam a oferta de cursos nos municípios.

Segundo Pennella, a qualificação também impacta aspectos sociais. “O artesanato melhora a autoestima, fortalece vínculos e pode gerar independência financeira, inclusive em situações de vulnerabilidade”, destaca.

O setor também avança na organização coletiva. A formação de grupos e associações tem ampliado o acesso a editais e mercados, inclusive no exterior. Há casos de produtoras que começaram com atividades simples e hoje exportam peças artesanais.

Apesar do avanço, desafios ainda persistem, principalmente na valorização do produto e na definição de preços. A orientação, segundo o Senar, é que as artesãs considerem todos os custos envolvidos e reconheçam o valor cultural e econômico das peças.

A expectativa é de expansão do setor nos próximos anos, impulsionada pela economia criativa, pelo turismo rural e pela digitalização das vendas.