
A história de Jéssica de Castilho mostra como a presença feminina no agronegócio tem avançado para áreas antes dominadas por homens. Natural de Rio do Sul, em Santa Catarina, ela deixou a profissão de costureira para atuar como operadora de máquinas agrícolas no Mato Grosso e hoje trabalha nas operações de colheita como safrista.
Há sete anos no agro, Jéssica afirma que encontrou no campo um novo propósito de vida e passou a inspirar outras mulheres a acreditarem que podem ocupar qualquer espaço dentro do setor.
“Tenho muito orgulho de dizer que sou operadora de máquina e de mostrar para outras mulheres que é possível”, afirmou.
Desafios vão além da operação das máquinas
Segundo Jéssica, a parte mais difícil da profissão não está na condução dos equipamentos, mas na manutenção das máquinas agrícolas.
Ela relata dificuldades principalmente em atividades como revisão mecânica, troca de peças e limpeza com sopradores de ar comprimido, considerados pesados para a rotina diária. Apesar disso, conta que recebe apoio de colegas da fazenda.
“A parte mais difícil para mim ainda é a revisão da máquina e a parte mecânica”, disse.
Ao longo da trajetória no campo, ela afirma já ter desempenhado diferentes funções no agro, desde preparo de defensivos até operações com implementos agrícolas.
Rotina exige adaptação
Jéssica também destacou alguns desafios da rotina feminina no trabalho com máquinas agrícolas, como longas jornadas, falta de estrutura em alguns locais e a necessidade de adaptação à realidade do campo.
“Você tem horário para sair de casa, mas não tem horário para voltar”, contou.
Ela ainda brincou sobre as mudanças no estilo de vida exigidas pela profissão, afirmando que unhas longas e de gel acabam sendo incompatíveis com a operação e manutenção de tratores.
Paixão descoberta longe da sucessão familiar
Mesmo sem histórico familiar ligado à agricultura, Jéssica decidiu seguir carreira no agro após se mudar para o Mato Grosso, em 2019. Segundo ela, a família atuava no setor madeireiro e na pecuária, mas não tinha ligação com lavouras.
“Não precisa vir de sucessão familiar para entrar no agronegócio”, afirmou.
A operadora também destacou a importância da fé e da coragem para superar desafios e aprender a lidar com novos equipamentos.
“Se a gente tiver fé e coragem, consegue ir aonde quiser”, disse.
A trajetória de Jéssica reflete um movimento crescente de mulheres ocupando funções técnicas e operacionais no campo, impulsionado pelo avanço da mecanização e da tecnologia no agronegócio brasileiro.