Agricultura regenerativa

Agricultura regenerativa e protagonismo feminino no agro transformam o futuro do campo

Barbara Sollero, Head de Agricultura Regenerativa da Nestlé
Barbara Sollero, Head de Agricultura Regenerativa da Nestlé

Agricultura regenerativa e protagonismo feminino no agro são hoje forças centrais na construção de um sistema alimentar mais sustentável, eficiente e humano. Esse foi o principal eixo da conversa com Barbara Sollero, Head de Agricultura Regenerativa da Nestlé, durante uma edição especial de A Protagonista, direto do Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, que reuniu mais de 3 mil mulheres em busca de capacitação, informação e liderança.

Neta de produtor rural da Zona da Mata Mineira, Barbara carrega no sangue a conexão com o campo. Ainda que não tenha herdado uma fazenda, herdou o propósito. Formada em Zootecnia, iniciou sua trajetória profissional atendendo produtores rurais da região de Viçosa (MG) e encontrou, desde cedo, no contato direto com o campo, o verdadeiro poder de transformação do agronegócio: o conhecimento aplicado à vida das pessoas.

Ao ingressar na Nestlé por meio de um programa de estágio, Barbara iniciou uma jornada que já soma 16 anos. Passou por diversas funções na cadeia do leite até assumir, recentemente, a liderança de uma área estratégica e transversal: a agricultura regenerativa. Uma cadeira criada a partir dos compromissos climáticos globais da companhia, considerando que cerca de 70% das emissões de carbono da Nestlé vêm do campo, da produção de matérias-primas como leite, café e cacau.

Nesse contexto, a agricultura regenerativa e protagonismo feminino no agro deixam de ser conceitos isolados e passam a caminhar juntos, conectando sustentabilidade, produtividade, cuidado com o solo, com os animais e, principalmente, com as pessoas.

Agricultura regenerativa e protagonismo feminino no agro no centro das decisões

A visão defendida por Barbara rompe com a lógica de que sustentabilidade é apenas uma meta ambiental. Na prática, a agricultura regenerativa é uma estratégia de eficiência produtiva, resiliência econômica e longevidade dos sistemas agrícolas. O produtor rural mulher ou homem está no centro dessa transformação.

Segundo a executiva, todo programa desenvolvido pela Nestlé parte do princípio de que a descarbonização é consequência, e não o ponto de partida. O caminho começa pelo ganho de produtividade, melhor uso dos recursos naturais e fortalecimento da gestão dentro da porteira.

“O centro dessa transformação é o produtor. Ele não é pequeno. Essas produtoras não são pequenininhas. Elas são enormes, e tudo o que fazemos é pensado para gerar eficiência, produtividade e melhor aproveitamento dos recursos que já existem”, destacou Barbara.

Essa abordagem sistêmica explica por que a agricultura regenerativa e protagonismo feminino no agro são tão complementares. A mulher, historicamente, traz um olhar mais integrado, atento aos detalhes e às relações entre solo, planta, animal, pessoas e comunidade. E é exatamente esse olhar que os sistemas regenerativos exigem.

O papel estratégico das mulheres na agricultura regenerativa

Durante o Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, a presença feminina em peso reforçou uma tendência irreversível: mulheres cada vez mais preparadas para assumir a gestão, liderar propriedades, negócios, cooperativas e multinacionais.

Dentro da Nestlé, esse movimento se traduz em ações concretas. Um dos principais exemplos é o programa Força da Mulher do Campo, iniciativa que capacita, empodera e cria redes de apoio regionais entre produtoras rurais. O projeto foi recentemente reconhecido internacionalmente, recebendo um prêmio do International Dairy Federation (IDF), em Paris, entre 130 iniciativas de 34 países.

Para a companhia, investir em agricultura regenerativa e protagonismo feminino no agro é uma decisão estratégica, não apenas social. Mulheres fortalecidas aceleram a transição dos sistemas produtivos, aumentam a resiliência das propriedades e impulsionam resultados sustentáveis de longo prazo.