BEM-ESTAR EMOCIONAL

Saúde mental no campo ainda é tabu e exige mais informação e apoio, diz especialista

De acordo com Sônia Câmara, instabilidade climática, pressão financeira e isolamento social têm impacto bem-estar emocional de produtores rurais

Saúde mental no campo ainda é tabu e exige mais informação e apoio, diz especialista

A saúde mental no campo ainda enfrenta desafios relacionados à falta de informação, acesso a serviços e preconceito. A avaliação é da psicóloga Sônia Câmara de Lima, técnica do programa Promovendo a Saúde no Campo, que atua diretamente com produtores rurais.

Segundo a especialista, apesar de o tema ganhar mais espaço nos últimos anos, especialmente a partir de 2024, ainda há uma lacuna significativa no meio rural.

“A saúde mental sempre foi mais discutida nas áreas urbanas. No campo, muitas vezes falta informação e acesso. Por isso, iniciativas como as do Senar têm papel importante na conscientização”, afirma.

Pressões

De acordo com Sônia, fatores como instabilidade climática, pressão financeira e isolamento social têm impacto direto no bem-estar emocional de produtores e produtoras.

“A vida no campo depende de variáveis que fogem do controle, como o clima. Isso afeta diretamente a renda e a segurança da família, gerando ansiedade e estresse”, explica.

No caso das mulheres, o cenário pode ser ainda mais desafiador. A chamada dupla jornada, entre trabalho no campo, gestão da casa e cuidado com a família, tende a aumentar os níveis de sobrecarga.

A especialista destaca que saúde mental não se resume à ausência de doenças, mas envolve equilíbrio físico, psicológico e social. Já os transtornos mentais estão relacionados a diagnósticos específicos, como ansiedade e depressão, que podem surgir quando esse equilíbrio é comprometido.

“Quando há excesso de trabalho, dívidas ou problemas climáticos, pode ocorrer um desequilíbrio emocional que evolui para quadros mais graves”, afirma.

Um dos principais desafios no campo é a dificuldade em reconhecer os sinais de problemas emocionais. Segundo Sônia, muitos casos só são identificados quando já estão em estágio avançado.

“Mesmo na cidade já é difícil perceber. No campo, onde há mais distância e menos acesso à informação, isso se torna ainda mais complicado”, diz.

Entre os sinais de alerta estão alterações no sono, pensamentos negativos frequentes, queda de produtividade e desânimo persistente.

Para a psicóloga, o primeiro passo para lidar com a saúde mental é o diálogo.

“Falar com alguém próximo, como familiares ou amigos, é essencial. A partir daí, é possível buscar ajuda profissional”, afirma.

Ela também destaca a importância de redes de apoio e de espaços seguros para troca de experiências, como cursos e encontros promovidos por programas voltados ao meio rural.

Programas como o Promovendo a Saúde no Campo atuam com foco em prevenção e orientação, levando informações para produtores e suas famílias.

Segundo Sônia, além do acompanhamento profissional, o autocuidado é um dos pilares para a manutenção da saúde mental.

“É importante entender os próprios limites, reservar um tempo para si e buscar equilíbrio no dia a dia. Procurar ajuda não é sinal de fraqueza, mas de cuidado”, conclui.