NOVA GERAÇÃO

Jovens mulheres ganham espaço no agro e impulsionam sucessão no campo, diz Juliana Farah

Presidente da comissão Semeadoras do Agro destaca avanço feminino em cursos, liderança e gestão de propriedades rurais

Jovens mulheres ganham espaço no agro e impulsionam sucessão no campo, diz Juliana Farah

A presença de mulheres jovens no agronegócio tem crescido de forma significativa nos últimos anos, impulsionando a sucessão familiar e trazendo inovação para o campo. A avaliação é da presidente da comissão Semeadoras do Agro da Faesp, Juliana Farah.

Segundo ela, iniciativas de capacitação e incentivo têm ampliado o interesse das novas gerações femininas pelo setor.

“Hoje, nos encontros das Semeadoras, temos a participação de muitas mulheres jovens. Nos cursos do Senar e também na Faesp Jovem, essa presença vem crescendo bastante”, afirmou.

Mulheres avançam na sucessão familiar

De acordo com Juliana, o movimento marca uma mudança cultural importante no campo, onde historicamente as mulheres não eram incentivadas a assumir a gestão das propriedades.

“A gente vem incentivando muito a importância da mulher dar continuidade na propriedade rural, no trabalho da família. Culturalmente, a mulher não era preparada para isso, mas hoje ela pode e deve estar nesse espaço”, destacou.

Ela ressalta que a presença feminina ao lado dos pais na atividade rural também influencia diretamente a decisão das filhas de permanecer no campo.

“Quando essa filha vê a mãe participando da propriedade, abrindo caminhos, ela também passa a querer continuar. Aí entra a questão da sucessão familiar”, explicou.

Nova geração chega com menos barreiras

Para Juliana Farah, as jovens de hoje enfrentam menos barreiras internas do que gerações anteriores, o que facilita a inserção no agro.

“As jovens não carregam tanto aquele questionamento de ‘será que eu posso fazer isso porque sou mulher?’. Isso ajuda muito, porque elas já vêm mais decididas”, afirmou.

Esse cenário tem se refletido também na formação profissional. Segundo ela, houve um aumento expressivo da presença feminina em cursos ligados ao agronegócio.

“Hoje já temos mais de 50% de mulheres em cursos como agronomia e zootecnia, o que antes era impensável”, disse.

Capacitação abre portas no campo

A dirigente destaca que a qualificação tem sido fundamental para ampliar o protagonismo feminino no setor.

Um dos exemplos citados por ela é o caso de uma jovem que decidiu fazer um curso de tratorista, mesmo enfrentando resistência.

“Ela tinha esse sonho, foi lá e fez. Mesmo com olhares tortos, ela se destacou e acabou inspirando outras mulheres”, contou.

Segundo Juliana, histórias como essa mostram como o acesso à formação pode transformar a realidade no campo.

Visibilidade atrai novas gerações

Outro fator apontado como decisivo é a maior visibilidade das mulheres no agro, o que tem incentivado novas participantes.

“Quando uma jovem vê uma mulher à frente de uma propriedade ou atuando como agrônoma, ela passa a enxergar que aquilo também pode ser um caminho para ela”, afirmou.

Além disso, programas como o Jovem Empreendedor do Agro, do Senar, têm registrado aumento na participação feminina.

“Em algumas turmas, já temos mais mulheres do que homens. Isso mostra como esse movimento está avançando”, destacou.

Incentivo é essencial para o futuro do setor

Para Juliana Farah, o fortalecimento da presença feminina no agro passa por incentivo, capacitação e mudança de mentalidade.

Ela reforça que o setor precisa continuar abrindo espaço para que mais mulheres assumam papéis de liderança.

“A continuidade no campo depende dessas jovens. Elas trazem inovação, preparo e uma nova visão para o agronegócio”, afirmou.