Aos 55 anos, monitora escolar aprende a ler e ganha nova perspectiva de vida

Participantes do programa de alfabetização do Senar-SP relatam conquistas que vão da leitura do dia a dia à retomada dos estudos e da confiança

Aos 55 anos, monitora escolar aprende a ler e ganha nova perspectiva de vida

A alfabetização representa muito mais do que aprender a ler e escrever para milhares de brasileiros que vivem no campo. O acesso à educação significa conquistar autonomia, recuperar a autoestima, ampliar as oportunidades de trabalho e realizar sonhos que pareciam distantes.

A monitora de transporte escolar Marta dos Santos, de 55 anos, conta que não teve oportunidade de frequentar a escola durante a infância. Agora, após participar do programa de alfabetização, vive uma realidade diferente.

Segundo ela, o aprendizado já faz parte da rotina de trabalho e da vida pessoal.

“Hoje eu consigo ler algumas coisas das crianças, os recados que os professores mandam. Até nas placas eu já consigo ler algumas palavras. Estou muito feliz. Foi uma experiência que eu nunca tive e que está sendo muito boa para mim”, relatou.

Além da alfabetização, Marta afirma que passou a fazer outros cursos para continuar se qualificando profissionalmente.

Educação fortalece autoestima

Há quase duas décadas atuando como educadora do Senar-SP em Duartina (SP), Salete Domingos afirma que a alfabetização de jovens e adultos vai além do conteúdo ensinado em sala de aula.

Segundo ela, o convívio entre professores e alunos cria vínculos que fortalecem a confiança e ajudam a transformar vidas.

“Durante esses anos, aprendi muito com meus alunos, suas histórias, desafios, sonhos e vivências. Mais do que ensinar, tive o privilégio de acompanhar histórias de superação e transformação que marcaram para sempre a minha vida”, afirmou.

A educadora destaca que o processo também contribui para melhorar a autoestima dos participantes, estimular o respeito às diferenças e fortalecer as relações dentro da comunidade.

Aprendizado gera independência

Além da leitura e da escrita, a alfabetização permite que moradores do campo realizem atividades simples do cotidiano sem depender de terceiros, como interpretar orientações, utilizar serviços públicos, acessar tecnologias e buscar novas oportunidades de capacitação.

Para os participantes do programa, voltar a estudar representa a possibilidade de construir uma nova trajetória, independentemente da idade.

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