
A violência contra a mulher no campo ainda é uma realidade silenciosa no Brasil, mas iniciativas voltadas à capacitação e ao fortalecimento feminino têm buscado mudar esse cenário. É o que destaca Juliana Farah, presidente do grupo Semeadoras do Agro, ligado à Faesp/Senar-SP.
Segundo ela, o principal caminho para enfrentar o problema passa pela autonomia financeira e pelo fortalecimento emocional das mulheres rurais.
“Quando você leva capacitação e ferramentas de autonomia, aos poucos consegue tirar essa mulher da dependência emocional”, afirma.
Capacitação como porta de saída
De acordo com Juliana, as ações promovidas pelas Semeadoras do Agro, em parceria com Faesp, Senar, sindicatos rurais e Sebrae, têm foco em oferecer formação e oportunidades às mulheres do campo.
A proposta é ampliar o acesso ao conhecimento e à geração de renda, criando condições para que elas consigam romper ciclos de violência.
Além da qualificação, o trabalho também envolve o resgate da autoestima e o fortalecimento pessoal. “É um processo gradual, uma construção. A gente vai semeando, aos poucos, e já vê resultados”, destaca.
Violência ainda é pouco exposta
Apesar da relevância do tema, a violência doméstica no meio rural ainda é pouco discutida publicamente. Segundo Juliana, durante eventos e encontros, é raro que mulheres relatem suas experiências abertamente.
No entanto, fora dos momentos formais, a realidade aparece.
“Muitas nos procuram depois, em conversas reservadas. Contam que já viveram essa situação ou pedem orientação sobre como sair dela”, relata.
Esses relatos mostram que, muitas vezes, o maior obstáculo não é apenas a violência em si, mas a falta de informação e de apoio.
Falta de orientação dificulta denúncias
Outro ponto destacado por Juliana é que incentivar a denúncia, por si só, não resolve o problema.
“Muitas vezes se fala que a mulher precisa denunciar, mas quem vai apoiar no dia seguinte?”, questiona.
Segundo ela, a ausência de suporte e de orientação prática impede que muitas vítimas deem o primeiro passo para sair da situação de violência.
Nesse contexto, a atuação das entidades busca justamente oferecer esse acolhimento e direcionamento.
Rede de apoio e transformação
A presidente das Semeadoras do Agro reforça que a informação e a capacitação podem transformar a realidade dessas mulheres, inclusive ajudando na reconstrução familiar em alguns casos.
Ela também destaca a importância de ampliar o alcance dessas iniciativas para que mais mulheres tenham acesso ao suporte necessário.
“A gente precisa falar sobre isso. Muitas ainda não deram o primeiro passo por falta de coragem ou de orientação”, afirma.
As interessadas podem buscar informações sobre cursos e ações por meio das redes sociais das Semeadoras do Agro e das entidades parceiras, que oferecem programação ao longo de todo o ano no estado de São Paulo.
A expectativa é que, com mais informação e acesso a oportunidades, cada vez mais mulheres consigam romper ciclos de violência e reconstruir suas trajetórias no campo.