ARTIGO

Páscoa no campo: onde a renovação floresce pelas mãos femininas

Juliana Farah
Juliana Farah, presidente Semeadoras do Agro

Olá, queridas leitoras,

Hoje gostaria de falar com vocês sobre esta celebração que junto do Natal une as famílias e é símbolo da nossa fé: a Páscoa. Momento de reflexão da vitória de Jesus sobre a morte, e de como essa é uma conexão interessante e profunda em nossas vidas.

A celebração deste feriado transcende a mera tradição para se consolidar como o ápice da esperança cristã. O mistério da ressurreição é a promessa de um eterno recomeço. Tanto nas Escrituras como na transformação social onde encontramos a força feminina dando legitimidade ao que ficou gravado na história e a revolução em marcha no campo.

Historicamente, o trabalho feminino no meio rural foi — e de certa maneira ainda é — invisibilizado. No entanto, a ressurreição traz consigo a ideia de revelação e de justiça. Atualmente, as mulheres têm assumido cada vez mais papéis de liderança em agroindústrias, cooperativas e na agricultura familiar.

Atuando em cinturões verdes, assentamentos e comunidades tradicionais, essas produtoras são as verdadeiras gestoras da biodiversidade e da segurança alimentar do nosso estado. A trajetória delas no campo reflete uma dinâmica de persistente renovação, assemelhando-se ao conceito de ressurgimento que permeia esta época do ano.

Esse ciclo de morte e renascimento, tão presente nas tradições que celebram a Páscoa, manifesta-se no cotidiano através, por exemplo, da recuperação de áreas degradadas e do fortalecimento da agricultura familiar. Nesses espaços, o renascer não é apenas uma data no calendário, mas um processo diário de dedicação onde o suor feminino garante que a vida prevaleça sobre o esgotamento dos recursos.

Portanto, a presença das mulheres no agro é o elo entre a tradição da terra com a modernidade necessária para a sustentabilidade. O papel que desempenham como guardiãs de sementes e saberes ancestrais permite que a promessa de um novo começo seja renovada a cada ciclo agrícola.

Ao observar a força dessas trabalhadoras, percebe-se que a ideia de ressurreição encontra uma aplicação prática e terrena: ela reside na capacidade humana de regenerar o ambiente e a sociedade. Ao cultivarem o alimento, cultivam também a esperança de um futuro viável, provando que a renovação da vida é um esforço contínuo que floresce das mãos de quem entende o tempo sagrado da natureza.

A Comissão Semeadoras do Agro da Faesp saúda todas vocês e deseja uma Feliz Páscoa.

Com carinho, Juliana Farah, presidente da Comissão Semeadoras do Agro da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp)

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