CAPACITAÇÃO

Cooperativismo facilita acesso ao conhecimento para a mulher do campo, diz Neusa Bogo

Produtora e liderança rural destaca o papel das cooperativas na capacitação de agricultores

Cooperativismo facilita acesso ao conhecimento para a mulher do campo, diz Neusa Bogo

Nascida em família de agricultores e hoje à frente de uma propriedade rural no oeste do Paraná, Neusa Bogo representa uma trajetória cada vez mais comum no agronegócio brasileiro: a de mulheres que assumem papel ativo na gestão e nas decisões dentro da porteira. Em entrevista ao videocast A Protagonista, ela compartilhou sua experiência no campo, destacou a importância do cooperativismo e apontou as mudanças no perfil das produtoras rurais ao longo das últimas décadas.

Filha de agricultores, Neusa afirma que sempre esteve ligada ao agro. Após se casar com um produtor rural, passou a atuar diretamente na condução da propriedade da família, localizada em São Miguel do Iguaçu (PR), onde são cultivadas lavouras de soja e milho. Segundo ela, a gestão sempre foi uma responsabilidade compartilhada. Em muitos momentos, inclusive, assumiu sozinha decisões estratégicas, como o planejamento do plantio, os tratos culturais, a comercialização e a colheita.

A produtora destaca que nunca teve dúvidas quanto ao seu papel de liderança. “Sempre me entendi como gestora da fazenda. Aprendi tudo na prática e não me vejo em outra profissão. O agro faz parte da minha missão”, afirmou.

Ao abordar o papel das cooperativas, Neusa ressaltou que o cooperativismo é um elemento central para a sustentabilidade econômica de pequenas e médias propriedades, perfil predominante em sua região. De acordo com ela, além de viabilizar acesso a mercado, tecnologia e renda, as cooperativas exercem função decisiva na formação e no desenvolvimento das mulheres.

Nesse contexto, os núcleos e comitês femininos têm papel estratégico. Segundo Neusa, esses grupos funcionam como porta de entrada para a capacitação e o fortalecimento da liderança feminina no campo. “A cooperativa vai até a propriedade, chama a mulher, incentiva e prepara. A mulher se desenvolve como pessoa e leva isso para a família e para o negócio”, explicou.

A coordenadora também chamou atenção para a evolução dos programas de capacitação ao longo do tempo. Ela relembra que, há cerca de 40 anos, as atividades voltadas às mulheres nas cooperativas eram concentradas em áreas como culinária e artesanato. Atualmente, o cenário é diferente. A demanda, segundo ela, migrou para temas ligados à gestão, desenvolvimento pessoal e administração da propriedade.

“Hoje, é difícil organizar cursos de artesanato, porque elas não querem mais isso. As mulheres buscam conhecimento em gestão, profissionalização e tomada de decisão. Temos cursos com fila de espera”, relatou.

Entre os temas considerados prioritários, a educação financeira ocupa posição de destaque. Para Neusa, a gestão eficiente dos recursos é condição essencial para a viabilidade das propriedades rurais, especialmente em um ambiente de margens cada vez mais apertadas. “Produzimos com amor, mas sem retorno financeiro não há como permanecer na atividade. Saber gerir o capital é fundamental”, afirmou.

A produtora observa ainda que o movimento de capacitação feminina acabou estimulando mudanças também entre os homens. Segundo ela, a procura por treinamentos masculinos cresceu nos últimos anos, muitas vezes incentivada pelas próprias mulheres.

Para a produtora, a busca contínua por conhecimento é um diferencial decisivo no cenário atual. “O mundo está cada vez mais tecnológico e dinâmico. A profissionalização precisa acontecer dentro da propriedade. E o cooperativismo facilita esse acesso ao conhecimento”, concluiu.