
O mercado global de café segue em expansão e cada vez mais estratégico para o agronegócio brasileiro, com crescente participação feminina em áreas como gestão, certificação e negociação.
A avaliação é de Eliane Cristina, diretora executiva da Coocacer Araguari, que destaca o avanço das mulheres em posições de liderança dentro da cadeia produtiva.
Segundo ela, a presença feminina tem se ampliado nos últimos anos, especialmente em funções administrativas e estratégicas. “As mulheres têm hoje um papel extremamente importante e estão cada vez mais presentes na parte administrativa e negocial”, afirma.
Além da gestão, as mulheres também têm ganhado espaço na produção e na condução de projetos voltados aos cafés especiais, segmento em crescimento no mercado internacional. “Muitos dos projetos de cafés especiais hoje são liderados por mulheres”, destaca.
De acordo com a executiva, iniciativas ligadas à certificação e à sustentabilidade também têm forte participação feminina. “As mulheres estão muito presentes nos grupos de certificação e na busca por práticas ambientais, sociais e de governança”, explica.
O café brasileiro segue entre os principais produtos do agronegócio exportados pelo país, com presença consolidada em mercados como Estados Unidos, Europa e Ásia.
Nesse cenário, cresce a demanda por produtos com rastreabilidade e origem certificada, o que amplia as oportunidades para produtores que investem em qualidade e diferenciação.
Segundo Eliane, o Brasil se destaca não apenas pelo volume produzido, mas também pela capacidade de atender às exigências internacionais. “Hoje conseguimos garantir rastreabilidade e mostrar ao mercado que respeitamos o meio ambiente e as práticas sociais”, afirma.
A formação de preços do café segue como um dos principais desafios para o produtor. O mercado é influenciado por fatores como clima, estoques globais, variações cambiais e movimentos da Bolsa de Nova York.
“É um mercado global. Às vezes, decisões tomadas fora do país impactam diretamente o produtor aqui no Brasil”, diz a executiva.
Além disso, a competitividade entre países produtores também interfere na dinâmica de preços e na disputa por mercados.
A atuação das cooperativas é apontada como um fator importante para ampliar a competitividade dos produtores. Por meio da comercialização conjunta, os produtores ganham escala, acesso a mercados e melhores condições de negociação.
“A cooperativa abre caminhos, cria relacionamento com o mercado e fortalece o produtor, que sozinho teria mais dificuldade”, afirma Eliane.
Para quem está começando na cafeicultura, o principal desafio é entender os custos de produção.
“Quem não conhece o seu custo não tem base para tomar decisões. Esse é o principal erro”, alerta.
Segundo a executiva, o conhecimento detalhado dos custos é essencial para definir estratégias de venda e garantir resultados positivos ao produtor.