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Elas estão mudando o café: mulheres ganham espaço da lavoura ao mercado

Entre desafios e conquistas, produtoras constroem protagonismo na cafeicultura

Elas estão mudando o café: mulheres ganham espaço da lavoura ao mercado

O avanço da participação feminina na cafeicultura tem ganhado destaque em diferentes regiões produtoras do Brasil. Produtoras relatam crescimento no reconhecimento do café especial e maior presença das mulheres em todas as etapas da cadeia, da produção à comercialização.

Em Carmópolis de Minas (MG), a produtora Malvina de Freitas, da Fazenda Montoeira, afirma que o setor tem passado por mudanças importantes, impulsionadas por iniciativas coletivas e programas de capacitação. Segundo ela, o fortalecimento de associações e o acesso a projetos como o Senar, o Certifica Minas e outras instituições têm contribuído para o reconhecimento do café especial, tanto no mercado nacional quanto internacional.

Apesar dos avanços, as produtoras ainda enfrentam desafios estruturais. Malvina destaca que as dificuldades persistem em diferentes áreas da atividade, mas ressalta que o trabalho conjunto tem permitido ganhos em sustentabilidade e rentabilidade.

A nova geração também tem assumido papel mais ativo no setor. Aos 23 anos, a produtora Rafaela Silveira relata que, além da produção, é necessário compreender o funcionamento do mercado.

Segundo ela, o desafio vai além do cultivo e envolve acompanhar preços, negociações, exportações e as oscilações constantes do setor cafeeiro. A instabilidade do mercado é apontada como uma das principais dificuldades, especialmente para quem está em início de trajetória.

Rafaela destaca que o aprendizado contínuo e a construção de estratégias próprias são fundamentais para a tomada de decisões. Para ela, não existe um modelo único de atuação, e cada produtor precisa entender sua realidade, seus custos e objetivos para se posicionar de forma mais eficiente.

As produtoras também ressaltam o ganho gradual de espaço das mulheres na cafeicultura, com maior participação em decisões comerciais e na gestão das propriedades. Esse movimento tem contribuído para ampliar a presença feminina em um setor historicamente dominado por homens.

Além da produção, a atuação das mulheres se estende à gestão, sustentabilidade e empreendedorismo, reforçando a diversidade da cafeicultura brasileira. O setor se consolida como um ambiente de transformação social, aliado à geração de renda e à valorização do café especial no mercado global.